
POEMAS PAGÃOS
As mudanças são passageiras,
Os momentos fluem pelo presente.
Temos pouco tempo para tudo.
Não nos convém o nada de negação;
Uma vida morta em compasso de espera,
Um lugar reservado no mundo que virá.
Hoje, voaremos com asas próprias,
Viveremos entre os deuses
E não lhes seremos estranhos.
Não desviaremos o olhar
Do que não queremos ver.
Abandonaremos a sacrossanta covardia da fé
E abraçaremos a suprema aventura da incerteza,
Reconheceremos a nossa dúvida de cada dia.
Tomaremos de volta nossas escolhas subtraídas,
Decidiremos sem temor nosso destino.
Não necessitaremos dos subterfúgios consagrados,
Doadores da fácil e vazia crença do acerto certo.
Resgataremos nossa dignidade
Relegada ao esquecimento,
Reassumiremos nossa identidade
Renegada pela estupidez.
Agora só cometeremos atos
De nossa inteira responsabilidade.
Desmascaremos o perdão
Como atitude mesquinha e perniciosa;
Como a maior demonstração
De desrespeito e desprezo pelo próximo.
Também repudiaremos todo desejo
De ser perdoado e viver impune.
E, assim, gritaremos a plenos pulmões,
Sem pudor de ofender os ouvidos secos:
Deixem morrer o homem moribundo;
Parem de perpetuar a sua agonia;
Livrem-no de sua mortalha milenar
Feita de madeira, cravos e espinhos!
Ela que é renovada, ao longo dos tempos,
Pela ignorância, pela auto-indulgência,
Pelo ressentimento e pelo desespero.
Autor Desconhecido


Vieste
Ivan Lins
Vieste na hora exata
Com ares de festa e luas de prata
Vieste com encantos, vieste
Com beijos silvestres colhidos prá mim
Vieste com a natureza
Com as mãos camponesas plantadas em mim
Vieste com a cara e a coragem
Com malas, viagens, prá dentro de mim
Meu amor
Vieste a hora e a tempo
Soltando meus barcos e velas ao vento
Vieste me dando alento
Me olhando por dentro, velando por mim
Vieste de olhos fechados num dia marcado
Sagrado prá mim
Vieste com a cara e a coragem
Com malas, viagens, prá dentro de mim

De
repente, num instante fugaz, os fogos de artifício anunciam que o ano novo está
presente e o ano velho ficou para trás.
De
repente, num instante fugaz, as taças de champagne se cruzam e o vinho francês
borbulhante anuncia que o ano velho se foi e ano novo chegou.
De
repente, os olhos se cruzam, as mãos se entrelaçam e os seres humanos, num
abraço caloroso, num so pensamento, exprimem um só desejo e uma só aspiração:
PAZ E AMOR.
De
repente, não importa a nação, não importa a língua, não importa a cor, não
importa a origem, porque todos são humanos e descendentes de um só Pai, os
homens lembram-se apenas de um só verbo: AMAR.
De
repente, sem mágoa, sem rancor, sem ódio, os homens cantam uma só canção, um só
hino, o hino da liberdade.
De
repente, os homens esquecem o passado, lembram-se do futuro venturoso, de como é
bom viver. .

desconheço o autor

Entre mim e mim, há vastidões bastantes
para a navegação dos meus desejos afligidos (...)
só recolho o gosto infinito das respostas que não se encontram.
Minha virtude era esta errância
por mares contraditórios, e este abandono
para além da felicidade e da beleza.
Ó meu Deus, isto é a minha alma:
qualquer coisa que flutua sobre este corpo efêmero e precário,
como o vento largo do oceano sobre a areia passiva e inúmera...








Tenho fases, como a lua.
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.
Fases que vão e que vêm
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.
E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases, como a lua).
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...
Cecília Meireles
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